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Matheus Freire.
Formado em Comunicação Social- Relações Públicas pela Universidade Salvador, tem especialização em Marketing e Mestrado em Desenvolvimento Humano e Responsabilidade Social pela FVC. Professor do curso de Relações Públicas da Universidade Católica e dos cursos de Relações Públicas, Comunicação e Marketing, Publicidade e Propaganda, Administração e Eventos da Universidade Salvador. É Sócio da Katiaflaviadesign Comunicação e Propaganda.
 

ENSAIO

por Mateus Freire

Estamos presos. Desde a nossa infância, no berço, somos acostumados a grades em nossa frente. Normas e sistemas são colocados ao nosso redor. Sempre parte. Nunca enxergamos um todo. Por isso resolvi fugir um pouco das formalidades e ensaiar.

Em seus ensinamentos Confúcio prega... “ aos 15 anos orientei o meu coração para aprender. Aos trinta, plantei os meus pés firmemente no chão. Aos quarenta, não mais sofria de perplexidade. Aos cinqüenta, sabia quais eram os preceitos do céu. Aos sessenta, eu os ouvia com um ouvido dócil. Aos setenta, eu podia seguir as indicações do meu próprio coração, porque o que eu desejava não mais excedia as fronteiras da justiça.”

Portanto gostaria de expor aqui um ensaio que sirva não só como minha reflexão, mas também, mas como reflexão sua, caro leitor.

Nascimento

Pensei muito antes de escrever este ensaio. Na realidade pensei em que tema iria desenvolver nessas breves linhas já que são muitos os caminhos ainda em evolução na área do desenvolvimento humano. Não sei se é porque minha mente está fervilhando de idéias. O certo é que vou esperar mais uns dias para escrever. Assim que eu conseguir estabelecer uma linha de raciocínio que siga um só caminho eu volto. Afinal, respeito o fato de que o leitor deva pelo menos entender alguma coisa ao final de um estudo como este...

Voltei. Para falar a verdade já se passaram três dias de quando eu escrevi as linhas acima. Confesso que não consegui chegar a lugar algum ao tentar organizar um texto que pelo menos tenha uma conclusão lógica. Mas vai assim mesmo. Respirem fundo e vamos refletir um pouco dentro do processo de desenvolvimento humano que estamos vivendo. Encare este momento como uma reflexão e depois de concluída a leitura, exercite o precioso momento de parar, analise o que leu e se quiser, escreva um pouco sobre o que estiver pensando, ajuda muito, vocês vão ver.

Crescimento

Do que se trata este capítulo? Acho que vocês devem estar fazendo esta pergunta neste momento. Afinal de contas, o que este cara está querendo falar?

A resposta é muito simples. Eu quero falar de você. Quero falar de mim mesmo. Quero falar do ser humano. Este ser que a meu ver é o elemento mais difícil de ser compreendido no universo. Isto porque não dispomos de equações para nos explicar, ferramentas para mensurar o que nós somos e muito menos algo que possa prever as nossas atitudes.

Sim, concordo que ao longo dos anos o ser humano vem conseguindo grandes avanços ao tentar cientificar a nossa essência, mapear o nosso cérebro. Mas mesmo assim temos uma coisa que ainda é indecifrável e que pode ser a chave para o nosso desenvolvimento, a consciência humana.

Já ouvimos falar inúmeras vezes que a humanidade está se destruindo, que o ser humano é selvagem e coisas mais. Contudo, sejam honestos nesta pergunta. Quantas vezes vocês já pararam e refletiram sobre isto? Vou ainda mais fundo. Quantas vezes vocês já olharam para si mesmos e se perguntaram: Qual é o sentido da minha vida? Como estão as pessoas ao meu redor?

É difícil fazer estas perguntas em um mundo tão rápido como o nosso. Pode ser que você nunca tenha se perguntado isto. Quando acorda já pensa em como o seu dia será atarefado e durante o dia... sei lá, durante o dia já é uma correria, quase não dá tempo de almoçar, é muita coisa. E quem sabe à noite? Ah, que nada, à noite você já está muito cansado, só quer ver televisão e não pensar em nada.

Essa é a nossa rotina. Qualquer coisa mais profunda do que isso: É uma viagem.

Bom. Chegamos então ao sentido desse texto. Trazer um pouco à tona esta viagem para os sem tempo e colaborar um pouco com aqueles que estão buscando ter um sentido, não podendo deixar de mencionar, é claro, o meu próprio processo de auto-conhecimento.

Desenvolvimento

Vamos nos desenvolver. Atingir um outro plano. Um nível mais elevado de compreensão.
Como eu queria que isso fosse possível. Que todos aprendessem a agir assim. Mas isso é impossível. Estaria interferindo em um processo que já deixou de ser verdade, mas que ainda acredito: o Livre Arbítrio.

Somos condicionados desde que nascemos. Somos fotocópias, melhoradas, digitalizadas de quem nós já fomos algum dia.

Quando disse no capítulo anterior que nós não temos tempo (sim, eu também me incluo nessa questão), na verdade não é porque nós queremos e sim porque fomos induzidos a isto.

Acumulamos conhecimento para tentar explicar o que somente o nosso eu pode compreender. Vamos entender essa questão analisando duas vertentes. A ciência e nós.

Quando nascemos, nos colocam um nome (geralmente não somos nós que escolhemos), nos batizam (decidem por nossas crenças) e pensam: “Ele será um médico tão bonitinho quando crescer”. Pronto. Está decidido. Será doutor.

Daí, são anos de estudo até atingir o grande objetivo. Tornar-se médico.

Mas será que era isso mesmo? Essa pessoa é feliz?

Depois de tantos anos de estudo esse indivíduo torna-se um profissional competente, mas não se sente feliz. Busca de qualquer forma a felicidade. Tem dinheiro para isso. Mas nunca se sente satisfeito. O que será que aconteceu de errado? Tem família, filhos (que vão ser médicos), mas falta alguma coisa.

É claro que esse é um exemplo. Acontece em qualquer profissão, em qualquer situação. Acontece com você?

E a ciência? No meu ver a ciência é maravilhosa. Mas não é a salvação, a explicação para o todo. Ela é a complementação de uma parte. Existe um limite para a ciência. Seja na física, na matemática, na administração, na medicina. A ciência só explica até certo ponto. O ponto em que a consciência humana deve assumir o lugar de controle.

Na Administração somos condicionados em aceitar as regras de gerenciamento, fórmulas, teorias. Mas chega um momento em que isso não funciona. É difícil lidar com o imprevisível que é o ser humano. Evoluímos para o quociente espiritual, para o cultivo do amor dentro das empresas. E que novidade é essa? Por que quando falamos no auto-conhecimento, no amor, na compreensão, nos parece que estamos lidando com auto-ajuda.

Quando estava lecionando, apresentei um texto de Fritjof Capra para alunos de graduação e fiquei surpreso quando a grande maioria achou que fosse um texto de auto-ajuda, criticando. Queriam alguma coisa que mostrasse a nossa realidade.

O problema é que a nossa realidade está condenada. Encontrem a fórmula da felicidade, do prazer, do amor. Por favor, alguém diga como posso ser feliz?

A nossa grande busca é o nosso maior problema. A nossa inquietante e incansável busca pela satisfação plena, pela felicidade, nos deixou cegos.
Isso porque é a minha busca, da minha felicidade. A sua busca, da sua felicidade. Não importa o outro, não importa como. Não imaginamos as conseqüências.

Quando pensamos que todas as atitudes dos índios eram baseadas em como isso iria afetar as suas próximas gerações. Matamos. São selvagens. Mas conviveram tão bem com a natureza. Um equilíbrio que nós, os civilizados, não conseguimos. Pior, desequilibramos tudo.

Conquistamos o espaço. Fomos à lua. Gastamos milhões com isso. Energia Nuclear. Armas. Bomba Atômica. Poder.

Não resolvemos a fome, a pobreza. E sabemos como resolver. Mas somos egoístas demais.

Vejamos um bom exemplo: Milhares de brasileiros apostam na Mega-sena. Dois reais cada aposta. Uma chance em um milhão para ganhar.

Se esse dinheiro fosse doado para ajudar o próximo, quantos projetos não poderiam ser beneficiados. Mas não, eu quero ganhar milhões, assim eu vou ser feliz.

Mas aí volto à idéia. Temos o Livre Arbítrio, não sou eu quem vai dizer a você o que fazer, qual é a fórmula. Estaria voltando ao nosso condicionamento. É preciso que você descubra isso sozinho.

Somos adultos. Padrões comportamentais que já foram formados. Ética e caráter. Assumimos novos papéis sociais, pois somos objetivos e temos percepção dos nossos limites.

Maturidade

Auto-conhecimento. Essa é a resposta?

De que adianta títulos, posses, prestígio se você não se conhece. Como eu posso entender o próximo sem nem saber como eu sou. Seu ego não é a sua razão. Estamos ainda muito presos ao mundo material. A nossa mente não consegue enxergar além do mundo material. Tente compreender a natureza da sua mente.

Aí está a felicidade. Não é um processo que pode ser ensinado e nem mesmo colocado em páginas de livro ou na Internet. Como o Dalai Lama ou Khrisnamurti já colocaram em inúmeras das suas conferências ou publicações. Deve partir de você.
“É importante que todos nós, à proporção que amadureçamos, examinemos esses problemas e os compreendamos, para não respeitarmos uma pessoa só porque ela tem um título ou uma posição elevada ou porque , presumivelmente, possui uma grande soma de conhecimentos. Na verdade, conhecemos muito pouco. Podemos ter tido muitos livros, mas pouquíssima gente tem alguma experiência direta seja do que for. É a experiência direta da realidade, de Deus, que é de vital importância; e, para isso, tem que haver amor.” ( Khrisnamurti)
Velhice
Chegamos ao ponto em que a sabedoria, a consciência da finitude e as perdas geram sentimentos que exigem do ser humano um grande conhecimento sobre si mesmo. A velhice não é determinada pela idade. Velhice é uma questão de tempo mal vivido.
Um mestre perguntou aos seus discípulos: “O que é o oposto da morte?” “A vida”, eles responderam. “Não”, afirmou o mestre, “é o nascimento, porque a vida é eterna”.

Por isso, ame. O máximo que puder em sua vida. Ame o próximo assim como você deve amar a si mesmo. Partilhe. Talvez você encontre o sentido da sua existência.

Não posso dizer qual o sentido da sua vida. Você tem que encontrá-lo. Sei que quanto mais pensamos, mais dúvidas temos. Porém essas dúvidas não podem se transformar em inquietações, perturbações, pois elas nos trazem o sofrimento. Temos que compreender que o nosso mundo é assim. E é assim que devemos amá-lo.

Não sabemos o que vamos encontrar depois da vida. Se somos somente matéria. Se vamos evoluir para um outro mundo. Mas em uma coisa podemos acreditar, se cultivarmos o amor, a compreensão por todos, certamente estaremos deixando alguma mensagem para a próxima geração e quem sabe despertando um dia a consciência humana para um outro caminho, diferente daquele que estamos trilhando.

Então reflita um pouco. Aproveite pelo menos cinco minutos do seu dia para pensar como estão as suas relações, converse um pouco com você mesmo e tente entender como você é. Não compre fórmulas, você não precisa de um guia, só precisa ver o seu interior e pensar como o mundo seria melhor com mais amor. E não tente convencer os outros disso. Deixe que eles se conheçam. Eles também têm o direito de sentirem felizes, assim como eu ou como você. Mas de uma felicidade verdadeira, que vem de tudo o que vamos construindo nas nossas vidas em nosso mundo interior. Nas nossas mentes. E para todo o mundo.

Nasça, cresça, desenvolva-se, envelheça, morra e continue muito feliz.