Teorias de sociedade contemporânea e os desafios na construção de novos paradigmas para as relações públicas.
Analisar como se dá a abordagem da criação de novo paradigma das relações públicas, na sociedade globalizada permite evidenciar, de um lado, as discussões que estão sendo agendadas pela área, nos seus vários encontros de profissionais e nas discussões na academia, de outro, pode-se apontar os avanços e as lacunas decorridas por espaços que foram criados pela inoperância dos dois segmentos, o mercado e a academia.
O acesso à informação, mais do que em qualquer outra época, é elemento essencial para que o indivíduo e as organizações sobrevivam e sejam produtivos. Quanto ao seu dinamismo, a organização na atualidade diferencia-se pela capacidade de transmissão e troca de informações com os seus públicos de interesse. Em várias atividades da comunicação e, principalmente na área das relações públicas, é necessário entender e refletir sobre como transmitir as informações de forma eficiente e eficaz.
Entender a modernidade e a posição que o indivíduo ocupa na sociedade é fundamental para o desenvolvimento de qualquer atividade social. Giddes, (p. 9, 2002), explica:
"... essas na são apenas transformações em extensão: a modernidade altera radicalmente a natureza da vida social cotidiana e afeta os aspectos pessoais de nossa existência. A modernidade deve ser entendida num nível institucional; mas as transformações introduzidas pelas instituições modernas se entrelaçam de maneira direta com a vida individual, e portanto com o eu."
Precisa-se compreender a complexidade das relações entre os indivíduos e a sociedade e a multiplicidade de veículos de comunicação, dirigida ou de massa, que a cada dia surgem no mercado, tornando a percepção dessa relação cada vez mais complexa. Na observação dos vários aspectos da globalização, as relações entre o homem e a sociedade organizacional, esta cada vez mais compartimentalizada, bem como as técnicas de comunicação.
Os estudos dos relacionamentos dos indivíduos com a sociedade demonstram que, para entender o processo comunicacional das organizações com os seus públicos de interesse, é imprescindível o acumulo de parâmetros, paradigmas e teorias que permitam entender a operacionalidade destes veículos, seu alcance, sua influência, sua eficiência e suas limitações. Desenvolvem-se melhor as atividades de relações públicas e sua interface com a organização, à medida que a academia e o mercado, buscam compreender a evolução dos relacionamentos do homem com a sociedade organizacional.
Entende-se que as inter-relações sociais, as técnicas e as tecnologias da sociedade, que envolvem todos os aspectos da vida humana formam um complexo de valores que compõem o relacionamento dos públicos com as organizações e destas com a sociedade.
Assim, devem ser desenvolvidas as habilidades de relações públicas na perspectiva da sociedade da informação, por meio do aprofundamento dos conceitos de públicos, de organização, de planejamento estratégico, de epistemologias e de linguagem adequada.
Segundo Lopes, (2005, p. 96).
“A área de Relações Públicas colabora para a eficiência e eficácia organizacional quando é capaz de identificar os públicos estratégicos como parte do processo da administração estratégica e conduzir os programas de Comunicação no sentido de desenvolver e manter relacionamentos de longo prazo entre a administração e esses públicos”.
Focando sempre os relacionamentos, as relações públicas atuam na organização e nos grupos de interesse que possam exercer influência sobre ela. É atividade de relações públicas, criar e implantar valores que permeiam toda a estrutura organizacional. Estes valores devem ser entendidos como a espinha dorsal que sustenta a organização. A ação das relações públicas, na sociedade da informação, vai alem do informar, do persuadir. Elas têm como objetivo a busca do relacionamento, do diálogo, da harmonia, do respeito aos valores, às crenças e aos ideais dos que formam a organização. Toda esta proposta só é valida se as demais áreas da comunicação organizacional atuarem em conjunto, do contrário os relacionamentos se tornarão incompletos. Ainda são muitas as organizações que seguem o modelo de mão única, proposto por Grunig. Porém, a sociedade atual exige relacionamento e integração, encontrados na teoria das relações públicas.
Salienta-se também, para que não fique nenhuma dúvida, que as atividades de relações públicas contribuem para maior lucratividade da empresa, fazendo com que as ações da mesma resultem em satisfação e apoio dos públicos de interesse. É neste cenário, de constantes buscas pela excelência no relacionamento com os públicos que, percebe-se o avanço dos estudos, das atividades e de um conceito positivo de relações públicas.
Assim, entende-se que a atuação eficiente e eficaz na área criará a capacidade de enfrentar os diversos problemas de comunicação com os públicos de interesse, consolidando-se cada vez mais numa profissão que busca entender os problemas do homem.
Revisitar os autores que nas décadas de 80 e 90, conceituaram a atividade, a função e os instrumentos de relações públicas e comunicação organizacional, com certeza trará para os profissionais mais recentes, uma visão atual, que na época era considerada futurista. Entendemos que as relações públicas só obterão o seu lugar na sociedade globalizada quando a academia e o mercado caminharem juntos, refletindo e propondo soluções para os problemas de relacionamentos do homem com a organização, que poderão ser solucionados por meio de uma comunicação que busque ouvir ambas as partes.
Perspectivas para a profissão de relações se abrem numa sociedade que embora globalizada, seja democrática, respeite a cultura local, o meio ambiente e os diretos do cidadão. Para tanto, profissionais da área devem buscar o aprimoramento do seu conhecimento incentivar os dirigentes das organizações para que a missão, a visão e o código de ética das mesmas, não sejam apenas figuração em quadros e nos veículos de comunicação.
Esnél José Fagundes
Doutorando em Ciências da Comunicação
ECA/USP
Bibliografia:
GRUNIG, James E. A ação das Relações Públicas na ração e sua contribuição para a efetividade organizacional e societal In: Revista de Comunicação e Sociedade. São Bernardo do Campo: PósCom-Umesp. ª 24, n. 39, 1 sem. 2003. p. 67-92.
KUNSCH, Margarida Maria K. Planejamento de relações públicas na comunicação integrada. 4a. ed. (revista, atualizada e ampliada) São Paulo: summus, 2003.
LOPES, Valéria de S. C. A gestão da imagem corporativa: um estudo sobre a mensuração e valoração dos resultados em Comunicação Corporativa e Relações Públicas. Tese apresentada a Programa de Pós-Graduação em Ciências da Comunicação. ECA/USP. São Paulo, 2005.
SANTOS, Boaventura de Souza (org) Democratizar a democracia: os caminhos da democracia participativa. Rio de Janeiro: civilização brasileira, 2002. |